A expressão Nação Rubro-Negra, usada para se referir aos milhões de torcedores do Flamengo espalhados pelos quatro cantos do Brasil – e do mundo – virou o centro de um imbróglio judicial que tramita no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. O espólio do jornalista Aristélio Travessos de Andrade, representado por uma filha, Marly Gomes de Andrade, reivindica a criação da expressão.
Por conta dos direitos originários de exploração da expressão, o polo ativo da demanda exige o pagamento de uma indenização milionária por parte do Flamengo pela alegada irregularidade na utilização destas palavras. Além do clube, as lojas oficiais e o programa de Sócio-Torcedor, que também utilizam a expressão “Nação Rubro-Negra”, podem ser prejudicados.
Aristélio Travassos de Andrade nasceu em Timbaúba, Pernambuco, mas mudou-se ao Rio de Janeiro aos três anos de idade. Na vida adulta, foi empregado da Petrobras antes de trilhar uma bem-sucedida carreira como jornalista. Em seu currículo existem passagens pelo Jornal dos Sports, Correio da Manhã, O Estado de São Paulo, Folha e O Globo. Após uma batalha contra o câncer, perdeu a vida em março de 2010, aos 76 anos de idade.
Em 1970, ao lado de José Trajano, fundou a revista Placar. À época, criou e disseminou a expressão “Nação Rubro-Negra”. Tanto o é que Aristélio era comumente chamado como o “Pai da Nação Rubro-Negra”, conforme consta em matéria no Jornal da Associação Brasileira de Imprensa, a ABI.
“Foi ele que meio a sério, meio a brincadeira, difundiu a expressão agora inseparável da torcida do Flamengo. […] Aristélio plasmou a expressão Nação Rubro-Negra para definir a torcida do Flamengo”, afirma um dos trechos da referida publicação.
Os advogados do Flamengo, na contestação, afirmam que Aristélio, durante toda a sua vida, jamais exigiu para si os direitos pela expressão “Nação Rubro-Negra”. De acordo com o clube, trata-se de um interesse meramente econômico e intempestivo por parte dos familiares do jornalista que “lamentavelmente” buscam, meio século depois e doze anos após o falecimento, o reconhecimento da referida expressão.
