Análise: Arrascaeta e Éverton Ribeiro “dão liga” e dor de cabeça para Abel Braga no Flamengo

A dupla sensação do Flamengo versão 2019 é sem dúvidas Gabigol & Bruno Henrique , mas outra parceria de sucesso parece estar a caminho: Arrascaeta & Éverton Ribeiro.

Na cabeça de Abel Braga, por enquanto é um ou outro. Mas na primeira chance juntos como titular, eles funcionaram bem no time alternativo que empatou com o Vasco por 1 a 1 no último sábado, no Maracanã, pela Taça Rio (veja os lances no vídeo abaixo) . E demonstraram que podem, sim, jogar um ao lado do outro – algo que a torcida do Cruzeiro imaginava e os rubro-negros é que terão o privilégio.

Por fim, perguntei para o Abel sobre Arrascaeta e Everton Ribeiro juntos e se tem espaço para eles no time titular #geflapic.twitter.com/U4VPuKAu7a— March 10, 2019

  • Escalado centralizado, Arrascaeta teve liberdade para flutuar e não passou nem perto do lado direito, onde vem sendo usado na equipe titular. Entre o meio e a ponta esquerda, o uruguaio construiu boas jogadas com Ronaldo, arriscou finalizações quando teve espaço, infiltrou-se na área algumas vezes e marcou o gol do Flamengo, o seu segundo pelo clube. 
  • Por sua vez, Éverton Ribeiro foi o “motorzinho”. Incansável, ele buscava a bola desde o campo de defesa e iniciava quase todas as investidas, muitas vezes tirando passes da cartola que desmontavam a marcação adversária. Foi assim que puxou o contra-ataque que terminou na rede do Vasco. Também apareceu na área para finalizar, mas sem perigo.

Encorpado por Arrascaeta, Éverton Ribeiro e Vitinho (trio de R$ 127 milhões, preço que custou aos cofres rubro-negros), o time alternativo do Flamengo surpreendeu o Vasco com sua força máxima no Maracanã, jogou melhor e por muito pouco não tirou a invencibilidade do rival na temporada. Se na defesa houve muitos erros e falhas de marcação, no ataque a equipe teve várias chances de matar o jogo no segundo tempo. Não aproveitou e acabou castigada nos acréscimos.

Mesmo sem a vitória, a dupla pediu passagem e garantiu uma dor de cabeça a mais para Abel nas próximas partidas. O técnico gostou do que viu dos meias, mas tem o setor já montado com Cuéllar, Willian Arão e Diego e se mostra relutante em mexer por ora. Tanto Arrascaeta quanto Éverton Ribeiro podem jogar centralizados, mas o melhor encaixe tende a ser o mais simples: continuar com Bruno Henrique na esquerda, onde está voando; voltar com Éverton para a direita, onde sempre jogou e o uruguaio tem dificuldade; e usar o camisa 14 por dentro.

Outras observações:

  • Mais aprovados: poupando os jogadores para a Libertadores, Abel usou uma equipe alternativa, que nunca havia jogado junta. Se fosse um vestibular, outros dois jogadores seria aprovados: Vitinho, sempre perigoso pela esquerda e inclusive deu a assistência para o gol de Arrascaeta; e Piris da Mota, que fez um partidaço na marcação e foi quem mais desarmou do time: cinco vezes. Mas eles têm a ingrata concorrência com Bruno Henrique e Cuéllar; 
  • Garotos ainda verdes: Abel teve coragem de escalar muitos garotos e exaltou o fato de ter terminado o jogo com seis recém-promovidos da base para amadurecerem. De fato, eles ainda precisam de maior experiência: Thuler e Hugo Moura deixaram buracos na bola aérea; Ronaldo errou muitos passes no início de jogo; Klebinho e Lucas Silva desperdiçaram bons contra-ataques; e Vitor Gabriel foi presa fácil em meio aos zagueiros adversários;
  • Temor da bola aérea: antes do clássico, 1/3 dos gols sofridos pelo Flamengo em 2019 era fruto d jogadas pelo alto. E a estatística só não aumentou por falta de pontaria do Vasco, que teve quatro chances claras para explorar a deficiência da inexperiente defesa rubro-negra: Marrony, Werley, Lucas Mineiro e Leandro Castan, que chegou a carimbar a trave, mostraram que a preocupação com o chuveirinho na Gávea ainda deve continuar; 
  • Questão psicológica: Rodinei não vem sendo titular, mas como reserva imediato de Pará deverá ter muitas chances quando Abel voltar a revezar a escalação ao longo da temporada. Mas para isso, o lateral-direito vai precisar superar o abalo psicológico que sofreu ao perder um gol feito no fim do jogo. O ala, que chegou a chorar após a partida, correrá o risco de ser vaiado nas próximas oportunidades. E precisará saber lidar com isso; 
  • Primeira expulsão: por reclamação após o apito final, Bruno Henrique recebeu o segundo amarelo e o vermelho, ficando suspenso para a próxima rodada do Carioca. Foi a primeira expulsão de um até então disciplinado Flamengo: até o momento, foram 30 cartões em 12 jogos na temporada, incluindo a Flórida Cup, torneio amistoso realizado nos Estados Unidos – a média é de 2,5 por partida.

Com o empate, o Flamengo chegou a sete pontos na liderança de seu grupo na Taça Rio, mas poderá ser ultrapassado pela Cabofriense, que joga neste domingo contra o Fluminense. A próxima partida pelo Campeonato Carioca será no sábado, diante do Volta Redonda às 19h (de Brasília) no Maracanã. Antes, porém, o Rubro-Negro volta a campo pela Libertadores e fará o duelo dos líderes do Grupo D contra a LDU, do Equador. O jogão será nesta quarta, às 21h45, também no Maraca.

GLOBO ESPORTE

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