Dorival Júnior recebeu do Flamengo a garantia de apenas 12 jogos à frente do time. Sua missão ingrata — arrancar o título brasileiro do Palmeiras — não foi bem-sucedida diante da solidez do agora campeão. Mas o desempenho na curta temporada mostra que sua continuidade no cargo não pode (ou não deveria) ser desprezada.
Nas onze partidas em que comandou o time, após a demissão de Maurício Barbieri, Dorival acumulou sete vitórias, três empates e uma derrota (para o Botafogo, por 2 a 1, na 33ª rodada). O aproveitamento desse período, de 72,7%, é tão bom que seria suficiente para dar o título ao Flamengo em todas as edições do Brasileiro de pontos corridos desde 2006, quando se instaurou a versão com 20 clubes.
Até hoje, o campeão mais eficiente foi o Corinthians de Tite na temporada 2015. Aquele time, que somou 81 pontos ao fim do torneio, teve 71% de aproveitamento. O Palmeiras de Felipão, que levantou a taça deste ano após vencer o Vasco, no domingo, pode chegar no máximo aos 80, caso supere o rebaixado Vitória na rodada final.
É que nem só de Dorival se fez o Brasileirão do Flamengo. O aproveitamento de seu antecessor, Barbieri, que era excelente antes da Copa, despencou após o Mundial. Também não estava nos planos rubro-negros ter um adversário tão resiliente. Com Felipão, o Palmeiras enfileirou 22 rodadas de invencibilidade, um aproveitamento de quase 74%.
— O futuro a Deus pertence. Tenho que agradecer por ter voltado a um clube como o Flamengo. Vim consciente do contrato que fiz, me doei, dei o melhor. Nos entregamos de corpo e alma. Fico tranquilo — argumentou um Dorival pouco esperançoso, após a vitória sobre o Cruzeiro.
O Globo
