A forma nítida como o Flamengo se impôs ao Grêmio ontem, algo que aliás não é inédito na temporada, dá a medida de que este time rubro-negro que jogou o Campeonato Brasileiro poderia ter chegado às rodadas finais mais perto do líder. Faltou-lhe consistência, em especial quando a maratona de jogos minou o físico do time. Nesta quarta-feira, salvo em um momento do segundo tempo que durou cerca de dez minutos, foi muito superior até construir os 2 a 0.
Foi curiosa a noite que viveu o Maracanã, com atenção difusa entre o campo e a busca por informações sobre a Arena Palmeiras. Os 33 mil pagantes, abaixo da média da temporada, são sinal de que boa parte da fé fora perdida. E quem foi, iniciou a jornada com boa dose de mau-humor, com cobranças ao time ainda antes do apito inicial. A boa atuação na primeira etapa transformou o ambiente, junto com o 0 a 0 do rival.
No segundo tempo, o primeiro gol do Palmeiras fez o estádio murchar quando o Flamengo já vencia. O time sentiu o baque, quase levou o empate. No fim, o gol de Diego, que sacramentou o resultado, devolveu ao estádio um clima festivo. A vitória assegura o Flamengo na fase de grupos da Libertadores de 2019. E não encerra o Brasileiro. O Flamengo precisa vencer o Cruzeiro e o Atlético-PR e torcer para que o Palmeiras não faça mais do que um ponto contra Vasco e Vitória nas rodadas que restam.
O Flamengo do primeiro tempo teve traços comuns de boa parte do campeonato: volume, ocupação do campo adversário, mas uma quantidade de chances reais que não foi equivalente ao tamanho do domínio. Tanto que, em jogada trabalhada, o time construiu a ótima oportunidade perdida por Renê. No mais, a cabeçada de Uribe na trave veio de um córner, sem falar no chute longo de Diego. Mas não é fácil enfrentar o Grêmio, e o Flamengo o superava.
Olhos para Renato
O time gaúcho também era alvo da atenção de rubro-negros, graças ao farto noticiário de que Renato Gaúcho comandará o Flamengo em 2019. Não foi a melhor versão, neutralizada em sua saída de bola pela boa marcação nos volantes Michel e Matheus Henrique, este promissor. Jean Pyerre, também muito promissor, viveu de lampejos. No Flamengo, Cuéllar fez belo jogo, bem acompanhado por Diego. Uribe teve presença de área, mas Vitinho destoou.
O gol que abriu o placar veio de um córner, mas fruto do volume rubro-negro. Uribe marcou e, em vantagem, o Flamengo teve o momento propício para ampliar. O Grêmio se abriu, seguiu frouxo na marcação, competindo pouco. Dorival lançou Berrío e, mais tarde, Marlos para o contragolpe.
Mas os gols do Palmeiras esfriaram os ânimos. César chegou a salvar milagrosamente cabeçada de Geromel. Mas após vários contra-ataques perdidos, Berrío deu a Diego o gol que sentenciou o jogo.
O Globo
