Assim como a vida, o futebol é imprevisível. Se arriscar a seleção brasileira que será titular na Rússia já é difícil, mais complicado é imaginar quem serão os representantes do país na Copa do Mundo de 2022, no Qatar. Neste domingo, às 16h, no Maracanã, alguns candidatos estarão frente a frente no confronto dos dois mais populares times do Brasil. Pelo Flamengo, Vinícius Júnior e Lucas Paquetá são os garotos de maior destaque. No Corinthians, Maycon e Pedrinho.
O protagonismo em um clássico desta dimensão, que hoje terá estádio cheio, faz parte do desenvolvimento destes jovens atletas. Caçula da turma, com 17 anos, Vinícius Júnior é quem tem mais gols no campeonato: quatro. Embora seu potencial estivesse no radar de quem acompanha as divisões de base há muito tempo, sua rápida adaptação surpreende mesmo quem o viu menino, como Erasmo Damiani, ex-coordenador da base da seleção, ouro no Rio-2016.
— Já no sub-15, o Vinícius era um garoto diferente. A gente imaginava (o sucesso), mas não tão cedo. É o jeito dele. Ele é um jogador que cresce, de chegada — avalia Damiani, que arrisca: — Do jeito que está jogando, o Real Madrid vai acabar chamando, é inevitável.
JOVENS E JÁ NEGOCIADOS
Vendido por € 45 milhões (R$ 165 milhões) há um ano para o Real, Vinícius Júnior não é o único já negociado. O volante Maycon, de 20 anos, vai se transferir para o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, após a Copa do Mundo, em acordo de € 6,6 milhões (R$ 27,6 milhões). Um dos destaques do Corinthians no ano, ele cobrou o último pênalti na disputa que deu o título paulista sobre o Palmeiras, na casa adversária. Hoje, volta ao time após cumprir suspensão por cartões amarelos.
Assim como Maycon, os meias Lucas Paquetá e Pedrinho têm 20 anos. Coordenador de transição entre a base e o time profissional do Flamengo, Léo Inácio vê o clássico de hoje como um degrau na formação desses jovens.
— É importantíssimo para a carreira deles. São as duas maiores torcidas do Brasil. Participando de momentos assim, eles ficam maduros para qualquer situação. É muito bom para enfrentar essa pressão — argumenta o ex-jogador, formado no Flamengo. — O Vinícius e o Paquetá são garotos, mas extremamente preparados. Eles já vivenciaram muito esse clássico na base, em jogos decisivos na Copa São Paulo.
Damiani concorda:
— Imagina o lastro que esses jogadores terão na carreira por participar de jogos como este, ainda mais um Flamengo x Corinthians. Isso pesa muito.
Ao se integrarem aos profissionais, além das partidas na base, os jogadores rubro-negros têm acompanhamento de diversos profissionais, como nutricionistas e psicólogos. A estrutura ajuda, mas não é tudo, lembra Léo Inácio:
— Cada um reage de uma maneira. Alguns têm uma qualidade muito grande, mas não têm personalidade e ficam pelo caminho.
Por esta etapa, os jovens que se enfrentam hoje já passaram. Agora, é pensar no longo caminho que leva ao Qatar.
O Globo
