Foi no dia 13 de maio de 1997, na vitória por 1 a 0 (gol de Sávio) sobre o Palmeiras, fora de casa, pela Copa do Brasil. Júlio César, com apenas 17 anos, entrou no lugar de Zé Carlos durante o jogo. Quatro dias depois, fez a sua primeira partida como titular do Flamengo, na derrota de 2 a 0 para o Fluminense, pelo Campeonato Carioca, no Maracanã. Júlio defendeu um pênalti, mas não conseguiu evitar a derrota rubro-negra. Alcindo e Dirceu marcaram os gols do Tricolor.
Em agosto de 2000, com 20 anos, Júlio César ganhou a vaga do experiente Clemer e se tornou titular absoluto, efetivado por Zagallo. Como principal goleiro do rubro-negro, conquistou diversos títulos e conseguiu salvar o time do rebaixamento, também em diversas oportunidades. Foi campeão carioca em 1999, 2000, 2001 e 2004, da Copa dos Campeões em 2001 e da Copa Mercosul, último título internacional do Flamengo, em 1999. Além disso, salvou o time do rebaixamento em 2001, 2002 e 2004.
Em 2002, quando vivia uma grande fase com a camisa do Flamengo, Júlia César recebeu sua primeira convocação para a seleção brasileira, mas não jogou. Em 2003, foi reserva de Dida na Copa das Confederações e só foi estrear como titular do Brasil em 2004, na Copa América, na partida contra o Chile. Foi importantíssimo no título da seleção, naquela ocasião. Brilhou, principalmente, na final contra a Argentina, ao defender a cobrança de D’Alessandro na disputa de pênaltis.
No início de 2005, Júlio César trocou o Flamengo pela Inter de Milão por 2,45 milhões de euros (cerca de R$ 10,2 milhões na cotação atual). Antes de começar a defender o grande clube italiano, foi emprestado ao Chievo por seis meses. Voltou à Inter no meio de 2005 e rapidamente se tornou titular, barrando o experiente Toldo, que estava em fim de carreira. O técnico Roberto Mancini foi quem apostou em Júlio pela primeira vez no clube.
Com a camisa da Internazionale, foram 300 jogos e 15 títulos conquistados. Os principais: a Liga dos Campeões de 2010 e o Mundial de Clubes, também em 2010. Deixou o clube em 2012 para defender o Queens Park Rangers, da Inglaterra.
Com a camisa da seleção brasileira, Júlio César fez 87 jogos, entre 2002 e 2014, mas não conquistou o título da Copa do Mundo. Disputou três edições (2006, 2010 e 2014). Nas duas primeiras, sendo a segunda como titular, parou nas quartas de final. Na de 2014, o Brasil foi eliminado na semifinal pela Alemanha, em Belo Horizonte, após uma derrota acachapante de 7 a 1. Júlio não teve culpa nos gols, mas recebeu muitas críticas. O saldo que fica, no entanto, é positivo, com os títulos da Copa América (2004) e da Copa das Confederações (2009 e 2013).
Em 2010, quando estava no auge com a camisa da Inter de Milão, Júlio César foi eleito, por muitos, o melhor goleiro do mundo. Da Uefa, recebeu o prêmio de melhor da Europa na posição.
A carreira de Júlio César, nem sempre, foi feita de vitórias. Ele passou por algumas dificuldades no exterior, principalmente de 2012 a 2014, entre a saída da Inter de Milão e a chegada ao Benfica. Defendeu clubes de menor expressão como QPR, da Inglaterra, e o Toronto, do Canadá, para não perder ritmo e a vaga na seleção brasileira. No QPR, porém, foi reserva na maior parte do tempo.
Após a Copa do Mundo de 2014, mesmo com todas as críticas, o Benfica apostou em Júlio César com um contrato de dois anos – ampliado postariormente – e se deu bem. O goleiro conquistou inúmeros títulos com a camisa encarnada e virou ídolo por lá. Tanto é que foi apelidado de Imperador, como Adriano na Itália. Foram sete títulos, entre eles três Ligas Portuguesas. Em 2017, deixou o clube com uma despedida emocionante.
Há três meses, contra a vontade da mulher Susana Werner, Júlio César voltou ao Flamengo para encerrar uma carreira de 21 anos. Em seu retorno, disputou duas partidas (3 a 0 sobre o Boavista, em Volta Redonda, e 3 a 1 sobre o Atlético-GO, em Goiânia) e teve as mãos eternizadas na calçada da fama do Maracanã. O terceiro e último jogo será o deste sábado, contra o América-MG, pelo Brasileiro, num estádio que estará cheio para ver um dos grandes goleiros da história do futebol brasileiro se despedir dos gramados.
O Globo
