Dormir não é uma opção para o jovem Matheus Dantas nas horas que antecedem a decisão da Copinha. Titular na campanha invicta do Flamengo, o zagueiro busca, assim como todo grupo, coroar o trabalho com o tetracampeonato nesta quinta-feira, às 10h (de Brasília), contra o São Paulo, no Pacaembu.
Para o jogador, a final tem ainda mais peso. Dantas cresceu torcedor do São Paulo em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, contrariando o pai, flamenguista. O sonho era se tornar profissional no clube paulista – por onde jogou na base antes de defender o Rubro-Negro -, mas o destino tinha outros planos.
– É um incentivo maior para mim. O São Paulo é um clube que sempre sonhei jogar. Quando eu era menor torcia muito para o São Paulo. É até engraçado, porque meu pai é flamenguista, eu era são-paulino.
– Quando jogavam Flamengo e São Paulo eu falava: “eu nunca vou jogar no Flamengo, quero jogar no São Paulo”. E olha o que acabou acontecendo. Para mim é um grande incentivo também por ser uma final, já chegamos com a vontade de vencer lá em cima – revelou o garoto.
Aos 19 anos, o zagueiro, que como um veterano conversa com a reportagem do GloboEsporte.com, é emoção à flor da pele. Um dos mais vibrantes, ganha destaque ao lado do parceiro Patrick e já até balançou a rede – na goleada por 5 a 0 contra o Elosport. A personalidade deu a ele, contra o Avaí, nas quartas, na ausência de Hugo Moura, a braçadeira de capitão.
Porém, toda a intensidade deu lugar às lágrimas no final de alguns jogos do Flamengo na Copinha, principalmente no mata-mata. Segundo ele, um desabafo, principalmente após longo tempo de inatividade por duas lesões no joelho direito – uma no ligamento cruzado e a outra no menisco -, que hoje, como diz com um sorriso, “está 100%”.
– O choro é de alegria, um desabafo na verdade, por tudo que eu passei. Enfrentei duas cirurgias, fiquei parado sete meses em uma e quase um mês na outra. Por tudo, pela minha família, amigos, todas as pessoas que me ajudaram, me incentivaram para estar onde estou hoje.
– Não (tive medo da minha carreira acabar), porque sou muito apegado a Deus. Sempre conversei, entreguei tudo nas mãos de Deus. Aquilo aconteceu para me fortalecer, para eu amadurecer, dar mais valor à minha profissão, amar de verdade. Só me deu força, Deus me preparou. Se não fossem minhas lesões, eu não estaria onde estou hoje – destacou Matheus.
Globo Esporte
