O Flamengo divulgou uma nota oficial, nesta quinta, sobre os episódios de violência na segunda partida da final da Copa Sul-Americana, na última quarta, no Maracanã. O clube afirmou que não acredita que o principal problema tenha sido o uso de cartões-ingressos descarregados, como declarou o Gepe, e garantiu que pediu a presença do maior efetivo possível à Polícia Militar e à Guarda Municipal.
Além disso, o Flamengo também ciritcou a postura dos torcedores que protagonizaram toda a confusão dentro e no entorno do Maracanã, classificada pelo clube como “ação de selvagens”.
O comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios, Silvio Luiz, afirmou que foram feitas barreiras para conferência dos cartões-ingressos no entorno do Maracanã, mas que não havia a possibilidade de conferir se estes cartões estavam carregados, o que teria causado o problema.
O efetivo do Gepe presente no policiamento interno do estádio foi de 250 policiais. Do lado de fora, outros 60 do Gepe e 174 do 6º Batalhão de Polícia Militar. O número de seguranças internos foi de 709. O Flamengo afirma que contratou quase mil seguranças privados para atuar desde o acesso dos torcedores até os setores dentro do estádio.
Em setembro deste ano, episódios de brigas e invasões também foram registrados na primeira partida da final da Copa do Brasil, entre Flamengo e Cruzeiro.
A Concessionária Maracanã afirma que o atual modelo de realização de jogos prevê que toda a operação das partidas, incluindo segurança, alimentação, venda de ingressos, controle de acesso e outros, é de responsabilidade dos times desde 2016, sendo este padrão um pedido dos próprios clubes.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) enviou um ofício à CBF, Conmebol, STJD, 18ª DP e 16ª DP pedindo investigação para apontar e punir os responsáveis pelo que chamou de “atos deploráveis e odiosos”.
Leia a nota na íntegra:
“O Clube de Regatas do Flamengo vem a público expressar sua indignação com os fatos ocorridos na noite desta quarta-feira, no Maracanã, durante a final da Copa Sul-Americana. E também se solidarizar com todos os torcedores que, de alguma maneira, foram afetados pela selvageria, violência e falta de cidadania daqueles que provocaram tumulto antes e depois da partida.
A confusão antes do jogo foi provocada primordialmente por um grande número de pessoas tentando entrar no estádio sem ingressos, o que, infelizmente, é um hábito comum e histórico em todas as partidas de grande apelo do clube no Maracanã.
O problema ocorrido após o apito final foi fruto da frustração de torcedores com o resultado, mas de forma alguma se justifica. Torcedores que amam o clube, suas famílias, além de profissionais atuando no jogo não podem ficar reféns, retidos no estádio, em função da ação de selvagens.
Cabe reflexão mais ampla e profunda sobre os fatos por parte da sociedade. Diferentemente de outros eventos no Rio de Janeiro, como o Rock In Rio ou o Carnaval que mobilizam enorme interesse e têm escassez de ingressos, o futebol padece de problemas mais graves. Existe a “tradição” nefasta do torcedor que não possui ingresso em forçar a entrada no estádio; a infiltração de desordeiros em torcidas organizadas e o espírito de agressividade muito maior do que em outras atividades culturais. Tudo isso faz com que o controle de público em jogos de futebol seja muito mais complexo.
Se considerarmos a praça em que o espetáculo é realizado, cabe ressaltar que o Maracanã é um estádio grande, urbano, dentro de um bairro populoso, o que faz com o que o acesso a ele seja fácil, o que, paradoxalmente facilita a invasão de torcedor, o que aconteceu até mesmo na Copa do Mundo.
Portanto, consideramos equivocada a justificativa dada pelo comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios de que apenas um fator – o uso de cartões-ingressos descarregados por sócio-torcedores mal-intencionados – seja a razão predominante para os acontecimentos de ontem. É importante citar que cartões-ingresso são amplamente utilizados em eventos esportivos no mundo todo, inclusive no Brasil, e são uma forma de oferecer conforto e comodidade aos torcedores que fazem uma contribuição fundamental ao Flamengo, além de representarem um fator inibidor do cambismo e de confusões na venda de ingressos, como as grandes filas e quebra-quebras em bilheterias.
Um jogo decisivo do Flamengo, com lotação máxima apresenta muito maior risco e complexidade no que diz respeito ao acesso de torcedores do que uma partida de Copa do Mundo, em função das diferenças de perfil dos públicos envolvidos. Em compensação, a mobilização e o planejamento dos órgãos públicos para uma partida como a de ontem é incomparavelmente menor do que o realizado nos jogos do Mundial de 2014.
Outro ponto que torna o planejamento para partidas de grande apelo é o fenômeno das torcidas organizadas, movimento criado há cerca de 50 anos, que surgiu com o propósito de incentivo ao time, mas que hoje é associado a episódios de invasão, vandalismo e violência.
Some-se a isso o hábito dos torcedores em geral em postergarem sua entrada no estádio, a compra de ingressos, muitas vezes falsos, em cambistas e a já citada utilização indevida dos cartões de sócio-torcedor.
A título de informação, em reuniões operacionais antes da partida, o Flamengo notificou o Comando Maior da Polícia, assim como o GEPE, o 6º Batalhão (Tijuca) e a Guarda Municipal, solicitando o maior efetivo possível, dado o grande apelo da partida. Por sua vez, contratou quase mil seguranças privados para atuar a partir do momento da revista e acesso a catracas e em vários setores dentro do estádio.
Mesmo assim, tal mobilização pública e privada não foi suficiente para impedir os problemas, que aconteceram não só no Maracanã, como também em diversas ruas dos bairros próximos ao estádio, estações de trem e estações de metrô.
Dada tal escalada de violência, o Flamengo se propõe a, junto com os órgãos públicos, encontrar soluções para que seus jogos decisivos no Maracanã tenham o efetivo de segurança adequado, planejamento e bloqueios de ruas compatíveis com sua complexidade, uma vez que a Polícia Militar do Rio de Janeiro tem encontrado muitas dificuldades do ponto de vista de estrutura e contingente para realizar seu trabalho nas praças esportivas e outros pontos do Estado.”
Globo Esporte
