Kleber Leite fala em perseguição política e descarta pagamento de R$ 61 mi ao Fla

Com uma disputa judicial contra o Consórcio Plaza, que corre nos tribunais desde 2002, o Flamengo nomeou uma Comissão de Inquérito para investigar o ex-presidente Kleber Leite. O dirigente, que corre o risco de ser expulso do quadro de sócios do clube, se manifestou na manhã desta quinta-feira sobre o caso.

Kleber encaminhou ao Conselho Diretor do Flamengo uma contra notificação. O documento inicia com o esclarecimento de que o clube pede o ressarcimento dos R$ 61 milhões, mais acréscimos legais, equivalentes aos débitos que o Rubro-Negro teve de pagar por conta do caso. O ex-presidente, porém, “não reconhece a dívida que lhe é imputada e que em nenhuma hipótese é de sua responsabilidade o ressarcimento de tal quantia ao Clube de Regatas do Flamengo”.

Em seu blog, antes de divulgar a contra notificação, Kleber fala em perseguição política e protesta contra os representantes jurídicos do Flamengo que fazem a defesa no caso do Consórcio Plaza.

– Já passou do limite a covarde perseguição política que venho sofrendo ao longo de 20 anos no Flamengo. Os que, por incompetência, inconsequência e, quem sabe até, má-fé, deram início à descabida defesa do Flamengo no caso “Consórcio Plaza”, juntamente com os oportunistas que por mim foram contrariados em seus objetivos, somando-se ainda, os que sem qualquer conhecimento de causa, irresponsavelmente, agridem pelo prazer de agredir, que tomarei as medidas judiciais cabíveis contra todos que denigrem a minha imagem.

Kleber presidiu o Rubro-Negro entre 1995 e 1998. Em 2006, ele já havia se manifestado sobre as acusações e se disse vítima de “conspiração de malandragem, inconsequência e incompetência”. Para Kleber Leite, o erro foi de Edmundo dos Santos Silva – presidente do Flamengo em 1999 -, que não tomou nenhuma providência contra o Consórcio e ainda “admitiu dívida que não existia”, ironizando tratar-se de “uma louca vontade (de Edmundo) de pagar…” o Plaza.

Entenda o caso

A disputa judicial entre Flamengo e Consórcio Plaza se arrasta desde 2002 nos tribunais. O problema começou em 1996, quando Kleber Leite era o presidente do Flamengo. O montante se refere a uma dívida, que o clube não reconhecia, contraída com recebimento de R$ 6 milhões feito junto ao consórcio, que arrendaria a Gávea por 25 anos para a construção de um shopping.

O empreendimento não saiu do papel e a verba já havia sido aplicada na contratação de Edmundo, e o caso passou a ser contestado na Justiça. Com o passar dos anos, a dívida se multiplicou e hoje, de acordo com cálculos do clube, passou de R$ 90 milhões. Em abril de 2016, o Conselho Deliberativo aprovou acordo de pagamento de R$ 61 milhões ao grupo Multiplan, do Consórcio Plaza, para encerrar o caso.

Fonte: Globo Esporte